Processual Civil. Ordinaria. Reponsabilidade Civil — TJRJ
- Tribunal
- TJRJ
- Processo
- 0056108-52.1997.8.19.0001
- Julgamento
- 20/03/2001
Ementa
Processual Civil. Ordinaria. Reponsabilidade civil. Reparacao por <b class="negritoDestacado">danos</b> <b class="negritoDestacado">morais</b>. Venda de passagem por empresa aerea, estabelecendo horario posterior ao da saida do voo. Legitimidade passiva da empresa de turismo. Decadencia afastada. <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">Extravio</b></b> de <b class="negritoDestacado">bagagem</b> cuja responsabilidade nao ficou evidenciada nos autos. Rejeicao das preliminares, improvendo-se os recursos. I- A empresa responsavel pelo pacote turistico tem o dever de indenizar o cliente que, por erro da companhia aerea, que a empresa escolhera, o fez perder o voo, acarretando-lhe inumeros transtornos. Comercializando os chamados "pacotes", passam a ser responsaveis pela atuacao de toda uma cadeia de fornecedores por eles escolhidos e previamente contratados; II- As disposicoes do art. 27, do Codigo de Defesa do Consumidor, alcancam as acoes condenatorias, referindo-se o diploma, expressamente, `a pretensao de reparacao de <b class="negritoDestacado">danos</b> por fato do servico, ou seja, aplicavel `a hipotese da condenacao por <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado">moral</b> ou material que nao e' atingido pela decadencia, mas pela prescricao. O pleito indenizatorio por <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado">moral</b> nao tem caracteristicas de reclamacao por vicios aparentes ou de facil constatacao, mas traduz responsabilidade em razao do servico prestado - fato do servico, que se consubstancia nas consequencias que advieram da contratacao, ou sejam, o sofrimento, os transtornos, as angustias e apreensoes ocasionados pela empresa aerea ao vender um bilhete com o horario equivocado; III- O ressarcimento por <b class="negritoDestacado">danos</b> materiais, previsto na Convensao de Varsovia, nao exclui a indenizacao pelos <b class="negritoDestacado">danos</b> <b class="negritoDestacado">morais</b> que a Carta vigente consagra, havendo de se atentar que a Constituicao de 1988, erigiu, como um dos principios gerais da ordem economica, a defesa do consumidor que, por estar inserida no texto da Carta Magna, nao pode ser revogada por Convencao Internacional, porquanto somente ha' a prevalencia do tratado quando o conflito diz respeito a lei editada pelo Congresso Nacional. Nao pode a criatura sobrepor-se ao criador; IV- A observancia a acordos firmados, prevista no art. 178 da Constituicao Federal nao pode inibir a apreciacao do <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado">moral</b> que, em momento algum, foi ventilado em qualquer tratado anterior `a Carta vigente. Nao se conhecia, a nivel constitucional, essa reparacao; V- Na fixacao do valor do <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado">moral</b>, ha' que se atentar para a intensidade do sofrimento daquele que, longe de sua patria, debate-se frente `a incerteza da devolucao de seus pertences, da humilhacao e indiferenca por parte daquele em quem depositou confianca, frustrando-se nos seus planos, nos seus sonhos do encontro em familia, nao se podendo afastar, por outro lado, o relevante aspecto da pena privada de que se reveste a condenacao, freio inibitorio de novas praticas atentatorias ao consumidor; VI- O <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado">moral</b> independe de comprovacao - "damnum in re ipsa"; VII- Descabe se falar em indenizcao por <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado">moral</b> pelo <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">extravio</b></b> da mala, se a autora, embora recebendo indenizacao pelo <b class="negritoDestacado">dano</b> material, nao diligencia, pelo menos, no sentido de trazer aos autos o responsavel pelo pagamento, inexistindo provas sobre a companhia sob cuja guarda houve o <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">extravio</b></b>; VIII- Honorarios advocaticios fixados adequadamente; IX- Rejeicao das preliminares e, no merito, improvimento de todos os recursos. (IRP)