Direito do Consumidor. Responsabilidade Civil — TJRJ

Tribunal
TJRJ
Processo
0193265-66.2017.8.19.0001
Julgamento
04/09/2019

Ementa

DIREITO DO CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL. FORNECIMENTO DE <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">ENERGIA</b></b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">ELÉTRICA</b></b>. NEGATIVA DE TROCA DE TITULARIDADE AO PROPRIETÁRIO, SOB A ALEGAÇÃO DE QUE OS CONSUMIDORES NÃO CUMPRIRAM AS EXIGÊNCIAS NECESSÁRIAS. PRETENSÃO CONDENATÓRIA EM OBRIGAÇÃO DE FAZER, CUMULADA COM COMPENSATÓRIA DE <b class="negritoDestacado">DANOS</b> MORAIS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS. RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL INTERPOSTO PELA RÉ, VISANDO À REFORMA INTEGRAL DO JULGADO. 1. Hipótese subsumida ao campo de incidência principiológico-normativo do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, vez que presentes os elementos da relação jurídica de consumo. 2. Milita em prol da parte Autora, segundo os princípios e as regras do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, presunção de defeito na prestação do serviço, operando-se, em seu benefício, inversão legal do ônus da prova em relação do defeito de segurança do <b class="negritoDestacado">produto</b>/serviço. Competirá ao fornecedor, deste modo, para se eximir de qualquer responsabilidade, provar a inexistência de defeito na prestação do serviço ou que o fato danoso seria atribuível exclusivamente a terceiros. É, portanto, ônus da parte Ré a produção inequívoca da prova liberatória. Desse ônus, todavia, não se desincumbiu a concessionária. 3. Na inicial, narra a parte Autora, em apertada síntese, que, em 22/05/2017 celebrou contrato de locação do imóvel em questão, requerendo a transferência de titularidade do serviço junto à Ré, com consequente prestação do serviço, sem êxito. 4. A Ré não nega a recusa, arguindo, de forma genérica, que o Autor não apresentou a documentação necessária para a pretendida transferência, sem mencionar especificamente qual seria a pendência do Autor 5. Por outro lado, da detida análise dos autos, verifica-se que parte autora trouxe diversos protocolos de atendimento (fls. 23), não impugnados pela concessionária, o que tornam verídicas suas alegações. 6. <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">Dano</b></b> moral devidamente caracterizado, diante da recusa da ré em proceder à alteração de titularidade da conta de <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">energia</b></b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">elétrica</b></b> de rede <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">elétrica</b></b> no imóvel do autor, com consequente fornecimento do serviço essencial de <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">energia</b></b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">elétrica</b></b>, ficando o consumidor, pessoa jurídica, privado do serviço por quase seis meses, sendo certo que o mesmo somente foi fornecido após o deferimento de tutela de urgência (fls. 36/37). 7. Penso que, no particular, nada obstante a cultura e o zelo do i. magistrado sentenciante, na ótica deste Relator, não teria observado a condenação (R$ 5.000,00) o caráter punitivo-pedagógico de que deve se revestir a mesma, garantindo-se, destarte, a correta e destemida aplicação do princípio da efetividade, à luz da teoria do desestímulo. No entanto, diante da irresignação da Ré, somente, impossível à majoração da verba compensatória, o que configuraria reformatio in pejus. 8. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

Inteiro teor no site do TJRJ