Direito do Consumidor. Apelação Cível — TJRJ

Tribunal
TJRJ
Processo
0800986-38.2024.8.19.0045
Julgamento
03/06/2025

Ementa

DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">DANOS</b></b> MORAIS. PESSOA IDOSA. RECUSA INJUSTIFICADA DE ENTREGA DE CARTÃO BANCÁRIO A PROCURADOR. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. <b class="negritoDestacado">DANO</b> MORAL CONFIGURADO. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO E DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PARCIAL PROVIMENTO. I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível interposta contra sentença que reconheceu a responsabilidade civil objetiva de instituição financeira por <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">danos</b></b> morais sofridos por idosa de 96 anos, em razão da recusa imotivada de entrega de cartão bancário ao seu filho, munido de procuração pública, condenando o banco ao pagamento de indenização por <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">danos</b></b> morais, no valor de R$ 40.000,00, além de honorários advocatícios de sucumbência. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) determinar se a recusa injustificada de entrega de cartão bancário a procurador regularmente constituído configura falha na prestação do serviço, apta a ensejar reparação por <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">danos</b></b> morais; (ii) definir se o valor da indenização por <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">danos</b></b> morais e os honorários advocatícios foram fixados de forma proporcional. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. Configura-se relação de consumo entre a autora e a instituição financeira, incidindo as normas do CDC, em especial a responsabilidade objetiva do fornecedor, nos termos do art. 14, caput, do CDC. 4. A recusa da entrega do cartão bancário ao procurador da autora, munido de instrumento público de mandato com poderes específicos, constitui falha na prestação do serviço, pois impôs à idosa exposição a risco físico evitável, em desrespeito à boa-fé objetiva e à dignidade da pessoa humana. 5. O acidente sofrido pela autora durante o deslocamento à agência encontra-se vinculado à exigência indevida da instituição financeira, que deu causa ao <b class="negritoDestacado">dano</b>, considerando a vulnerabilidade da consumidora. 6. Os fatos alegados pela autora não foram impugnados pela parte ré, que tampouco comprovou qualquer excludente de responsabilidade, nos termos do art. 373, II, do CPC e do art. 14, § 3º, do CDC. 7. O valor de R$ 40.000,00, fixado a título de <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">danos</b></b> morais, mostra-se excessivo diante das circunstâncias do caso concreto e dos parâmetros adotados pela jurisprudência para situações análogas, sendo adequada sua redução para R$ 10.000,00, com fundamento na proporcionalidade e na função compensatória e pedagógica da indenização. 8. Os honorários advocatícios sucumbenciais arbitrados na sentença também devem ser reduzidos, considerando a simplicidade da causa e sua rápida tramitação, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Recurso parcialmente provido, para reduzir o valor da indenização por <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">danos</b></b> morais para R$ 10.000,00 (dez mil reais), bem como os honorários advocatícios sucumbenciais para o percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da condenação. Teses de julgamento: 1. A recusa injustificada de entrega de cartão bancário a procurador com poderes específicos configura falha na prestação do serviço, ensejando a responsabilização objetiva da instituição financeira. 2. A exposição de pessoa idosa a risco físico, em razão de exigência indevida do banco, viola os princípios da boa-fé objetiva, da dignidade da pessoa humana e da proteção especial ao idoso. 3. O valor da indenização por <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">danos</b></b> morais deve ser fixado com base no critério de razoabilidade e na jurisprudência consolidada, considerando a gravidade do <b class="negritoDestacado">dano</b> e a capacidade econômica do ofensor. 4. Os honorários advocatícios devem observar os critérios do art. 85, § 2º, do CPC, em atenção à complexidade e duração da demanda. Dispositivos relevantes citados: CF, art. 1º, III; art. 5º, V; CC, art. 654; CDC, arts. 14 e 6º, III; CPC, art. 373, II; art. 85, §2º. Jurisprudência relevante citada: TJ-RJ, Apelação Cível 0113438-98.2020.8.19.0001, Rel. Des. Luiz Roldão de Freitas Gomes Filho, j. 22/02/2021.

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