Apelações Cíveis — TJRJ

Tribunal
TJRJ
Processo
0399435-46.2012.8.19.0001
Julgamento
27/04/2016

Ementa

APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE REPARAÇÃO POR <b class="negritoDestacado">DANOS</b> <b class="negritoDestacado">MORAIS</b> E <b class="negritoDestacado">MATERIAIS</b>. SISTEMA BANCÁRIO INOPERANTE POR TRÊS DIAS. REALIZAÇÃO DE TRANSFERÊNCIAS NÃO AUTORIZADAS PELA CORRENTISTA DURANTE ESTE PERÍODO. EVIDENTE FRAUDE DE TERCEIRO. TEORIA DO RISCO DO EMPREENDIMENTO. SENTENÇA QUE JULGOU PARCIALMENTE PROCEDENTE A PRETENSÃO AUTORAL, DETERMINANDO A DEVOLUÇÃO DOS VALORES INDEVIDAMENTE TRANSFERIDOS DA CONTA DA AUTORA, NÃO RECONHECENDO A INCIDÊNCIA DOS <b class="negritoDestacado">DANOS</b> <b class="negritoDestacado">MORAIS</b>. IRRESIGNAÇÃO DE AMBAS AS PARTES. Evidente vício na prestação do serviço. Autora que foi alvo de transferências por ela não realizadas, fato este reconhecido pela própria instituição financeira, que efetuou o estorno das quantias ilegitimamente desviadas da conta da autora. Inobservância da segurança e da proteção aos dados da correntista, e tampouco foi o banco diligente em tomar as devidas precauções, uma vez que a consumidora comunicou os fatos à instituição bancária, tendo esta se recusado a restituir os valores tido por indevidos, agindo de maneira arbitrária, unilateral e inconsistente, já que reconheceu a ocorrência de fraude em algumas operações, se recusando a efetuar o estorno das demais transferências. Banco réu que dispunha de meios de prova para comprovar os fatos por ele alegados, quanto à suposta infalibilidade do sistema de segurança, com apresentação de imagens da pessoa que teria realizado os saques e os empréstimos, ou com apresentação dos números de IP de todas as máquinas que originaram as transações, nada trazendo a estes autos que contradissesse as alegações da autora. Impossibilidade de devolução do integral valor pleiteado pela autora, uma vez que uma quantia teria sido enviada à suposta ex-sócia do pai da demandante, que também movimentava a conta de sua filha. Beneficiária que, portanto, seria pessoa de conhecimento da autora e de seu pai, e possibilitar o cancelamento desta transferência se revela prematuro e inseguro, dada a escassez de informações neste sentido. <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">Dano</b></b> <b class="negritoDestacado">moral</b> que entendo existir na hipótese, tendo em vista que a consumidora teve que se socorrer da prestação jurisdicional para ver o seu direito assegurado, tendo em vista a conduta abusiva e desrespeitosa do banco réu, que, arbitrariamente, veio autorizando transferências de quantias tidas por <b class="negritoDestacado">indevidas</b>, quando o sistema estava inequivocamente fora do ar, fato que evidentemente trouxe angústia, frustração e sofrimento para a correntista, uma vez que não estamos falando de valores irrisórios. Quantum que se fixa em R$ 5.000,00 (cinco mil reais), respeitando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, e analisando as circunstâncias próprias do caso concreto, por não ter havido maiores prejuízos à autora, como o caso de <b class="negritoDestacado">inscrição</b> de seu nome em cadastro restritivo de proteção ao crédito, valor este corrigido da data da publicação desta decisão e com juros a contar da data da citação. DESPROVIMENTO DO RECURSO DO RÉU E PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO DA AUTORA.

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