Apelação Cível — TJRJ
- Tribunal
- TJRJ
- Processo
- 0000270-49.2022.8.19.0066
- Julgamento
- 27/09/2023
Ementa
APELAÇÃO CÍVEL. <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">ACIDENTE</b></b> DE CONSUMO EM RODOVIA. RESPONSABILIDADE DA CONCESSIONÁRIA. RISCO ADMINISTRATIVO. NEXO CAUSAL. <b class="negritoDestacado">DANOS</b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">MATERIAL</b></b> E <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">MORAL</b></b>. 1. Trata-se de ação ajuizada contra concessionária em função de <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">acidente</b></b> ocorrido em rodovia (BR-116, Km 230). Dado a sentença de total procedência, segue a irresignação da parte ré. 2. A responsabilidade da concessionária - e isso já é passivo na jurisprudência - é objetiva, sendo certo que o risco administrativo importa atribuir às pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos, a responsabilidade pelo risco da sua atividade, que na espécie traz em seu bojo o dever de garantir a segurançaea vida dos usuários que transitam pela estrada de rodagem. 3. No caso, a quebra da mureta de proteção, que atingiu o <b class="negritoDestacado">veículo</b> da autora, além de estar inserido nos aspectos relacionados à própria utilização da estrada, é albergada pelo próprio risco do serviço traduzindo-se como um fortuito interno. 4. À luz da causalidade adequada fica muito claro que o <b class="negritoDestacado">dano</b> sofrido pela apelada não ocorreu porque o caminhão perdeu a direção na via contrária e bateu na mureta de proteção; essa dinâmica não é causa adequada do <b class="negritoDestacado">dano</b> sofrido, notadamente segundo o curso normal das coisas e a experiência comum da vida. O <b class="negritoDestacado">dano</b> sofrido pela apelada teve como causa adequada a quebra da mureta que, por isso, atingiu a vítima, ainda que se possa falar que o <b class="negritoDestacado">dano</b> não teria ocorrido se não fosse o descontrole do caminhão. 5. Quanto ao <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">material</b></b>, com razão a apelante já que valores foram contabilizados em duplicidade no cálculo da autora acolhido na sentença, pelo que o valor a título de <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">material</b></b> deve ser reduzido para R$ 913,97. 6. O <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">moral</b></b> teve como fato gerador o descaso da concessionária que não deu a assistência devida à apelada. Como é possível constatar na jurisprudência, o descaso, por qualquer motivo que seja, rende ensejo à reparação por <b class="negritoDestacado">dano</b> imaterial. 7. Em relação ao valor fixado, valendo-se do método bifásico é possível fixar um valor-base que pode ser majorado ou reduzido se presentes as circunstâncias agravantes ou atenuantes. Na espécie, embora existam circunstâncias agravantes modo a exigir a majoração do valor de base, o valor fixado na sentença (dez mil reais) afigura-se excessivo a implicar enriquecimento sem causa, modo que o valor merece redução para R$ 8.000,00 que traduz a reparação do <b class="negritoDestacado">dano</b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">moral</b></b>, sem implicar enriquecimento, e atinge o fim pedagógico a orientar o comportamento da concessionária. 8. DADO PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO PARA REDUZIR O VALOR DA CONDENAÇÃOATÍTULO DE <b class="negritoDestacado">DANO</b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">MATERIAL</b></b> E <b class="negritoDestacado">DANO</b> <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">MORAL</b></b>.