Apelação Cível. Cotas Condominiais. Cobrança contra Construtora — TJRJ
- Tribunal
- TJRJ
- Processo
- 0007091-48.2014.8.19.0002
- Julgamento
- 27/05/2015
Ementa
APELAÇÃO CÍVEL. COTAS CONDOMINIAIS. COBRANÇA CONTRA CONSTRUTORA. PROMESSA DE <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">COMPRA</b></b> E <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">VENDA</b></b> SEM IMISSÃO NA POSSE. OBRIGAÇÃO PROPTER REM. RESPONSABILIDADE DE QUEM DETÉM O DOMÍNIO DIRETO SOBRE A UNIDADE RESIDENCIAL. A sentença reconheceu o direito do autor-apelante ao recebimento das cotas condominiais vencidas e não quitadas até 30 de janeiro de 2014, data em que a construtora-apelada celebrou promessa de <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">compra</b></b> e <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">venda</b></b> da unidade residencial com terceiros. Fundamentou, em síntese, que os contratantes acordaram que a responsabilidade pelo pagamento das cotas condominiais caberia aos promitentes compradores desde a assinatura do <b class="negritoDestacado">contrato</b>, razão pela qual não procedia a pretensão exordial sobre as cotas posteriores à aposição das firmas. Insurgiu-se o autor-apelante, por entender que também seriam devidos os valores inadimplidos posteriores a 30 de janeiro de 1994, já que não houve imissão na posse dos promitentes compradores que, inclusive, pugnaram judicialmente pela rescisão do referido negócio jurídico. Razão assiste ao autor-apelante. O débito condominial é modalidade de ônus real e se constitui em obrigação propter rem. Assim, o débito segue o <b class="negritoDestacado">imóvel</b>, que garante a dívida por ele gerada e é assumida por aquele que detém os direitos sobre a unidade, após estabelecer relação jurídica direta com o condomínio, na forma como dispõe o artigo 1.345, do Código Civil de 2002. Não houve imissão na posse pelos promitentes compradores que, em razão da desídia da ré-apelada em fornecer os documentos necessários para a solicitação de financiamento habitacional, ajuizaram demanda em que pleitearam a rescisão da promessa de <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">compra</b></b> e <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">venda</b></b> celebrada com ré-apelada. Frise-se, por oportuno, que é assente na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que a previsão contratual que atribui responsabilidade ao promitente comprador pelo pagamento das cotas condominiais a partir da assinatura da promessa de <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">compra</b></b> e <b class="negritoDestacado"><b class="negritoDestacado">venda</b></b> não prevalece sobre a relação jurídica com o bem, representada pela imissão na posse e pela ciência inequívoca do condomínio acerca do negócio jurídico. Precedente do Superior Tribunal de Justiça. Reforma da sentença para reconhecer a responsabilidade da construtora-apelada sobre as cotas condominiais vencidas e inadimplidas após 30/01/2014, bem como as vincendas, inclusive <b class="negritoDestacado">multas</b> e juros moratórios, diante, como já asseverado, da natureza propter rem da obrigação, até a efetiva imissão na posse pelos promitentes compradores e a ciência inequívoca ao condomínio da transação. PROVIMENTO DO RECURSO.